terça-feira, 21 de abril de 2026

Perdão?

   Lembrar de perdoar. Gesto simples para quem recebe, gesto quase utópico para quem fornece.

  Nem todos estamos abertos ao perdão. Quase sempre dizemos por dizer "eu te perdôo", mas quantas vezes realmente perdoamos? Para mim, dizemos para confortar o outro, confortar que ele teve sua redenção, que ele terá a chance de fazer diferente e às vezes até faz... mas perdoamos mesmo?

  Lembro do primeiro perdão. Tínhamos largado tudo, fugido juntos e para nós foi o ato mais jovem que fizemos. Mas algo sempre me dizia, pega e olha, tem alguma coisa lá? Tem certeza que você não quer ter certeza? Malditas são as vozes, as pulgas atrás da orelha, às vezes até das duas. Eu peguei, eu olhei, eu procurei. Quem muito procura uma hora acha. Eu achei. Conversa estranha, sem pé nem cabeça, conversa em códigos. "Não vou te mandar mensagem, não sei se ela está aí.". Nunca esquecerei, jamais esquecerei. Mas eu menti, disse ter praticado o perdão. Disse que foi um mal entendido, e até hoje tento me convencer de que de fato foi mesmo. Mas as pulgas... Ah, as pulgas.

   Nunca esquecemos e nunca esqueceremos... dá primeira vez, do primeiro erro, do primeiro falso perdão. Nós fingimos. Fingimos bem. Fingimos tão bem que o causador esquece. Mas nós nunca esquecemos, nao é?

  Não importa mais. Qualquer triunfo após o "perdão" nunca é mais o mesmo. Mas lutamos. Tentamos nos convencer que o fim justifica os meios. Mentimos para nós mesmos, apenas porque é o melhor pro momento. Mas e quando esse momento passa?

  Momento pode ser uma fração de segundo, ou pode ser 3 anos. Não importa, nós vamos lembrar. Vamos até justificar os nossos próprios erros baseados naquele em específico. Naquele em que dissemos "eu te perdôo".

  Independente de tudo que você faça maravilhoso a alguém, após o primeiro erro, tudo ruí. Somos obrigados a tirar do pedestal aqueles que louvamos como Deus por tanto tempo. Somos obrigados a aceitar que, no fim das contas, criamos uma imagem divina de um ser de carne. Era uma utopia. 

  Quantas vezes você realmente perdoou? Eu? Provavelmente nenhuma. Nem a mim mesmo.




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